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    Letters-old maps of the Celestial Sky
    [Português]

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    Cartas Celestes

    Antigos Mapas do Céu

    de Carole Stott


     

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    Cartas Celestes

    Antigos Mapas do Céu

    Número de Páginas: 128

     

    Cartas Celestes

    Antigos Mapas do Céu

     

    Introdução

    Actualmente, conhecemos e entendemos o nosso mundo muito melhor do que os Antigos. Ainda hoje o céu nocturno nos cativa com o seu mistério e fascínio, quer o contemplemos dominados simplesmente pelo romantismo natural das estrelas, quer pelo desafio intelectual que elas constituem. Consiga o homem dominar o céu e o que ele contém, e terá a chave do próprio Universo. O homem antigo deu os primeiros passos na compreensão do céu quando estabeleceu um método para reconhecer as estrelas. Agrupou-as, usando os desenhos por elas formados e as figuras da mitologia que lhes sobrepôs, para estabelecer um processo de orientação no céu, e um pano de fundo sobre o qual se movem os outros corpos celestes. Assim, o homem transformou a confusão de pontos brilhantes no céu num sistema ordenado de estrelas. Ao longo dos séculos, foram geralmente aceites algumas das figuras das constelações. Como resultado de observações astronómicas mais cuidadas, e da identificação e catalogação de mais estrelas, a lista de constelações foi aperfeiçoada e aumentada. Actualmente os astrónomos usam um conjunto de constelações internacionalmente aceites. As cartas celestes deste livro ilustram a história e as escolhas que conduziram às constelações actuais. A maior parte das ilustrações aqui reproduzidas foi obtida de impressões de mapas celestes executados depois de 1515, data do primeiro mapa de estrelas realmente impresso. A apresentação é iniciada pelo mais antigo manuscrito com desenhos das constelações. Um pouco mais adiante, simples mapas, atlas e globos, revelam o aparecimento das constelações mais recentemente introduzidas. No século dezanove terminava a produção de bonitas cartas celestes pois os astrónomos profissionais não precisavam mais de figuras de constelações nos seus mapas; eles preferiam uma menor confusão e imagens mais científicas, apresentando as posições das estrelas e a sua identificação com rigor e clareza. No século dezanove foram produzidos e lançados no mercado florescente de observadores de estrelas, mapas mais atractivos e um número crescente de planisférios móveis. Nos primeiros anos do século vinte tornaram-se progressivamente mais úteis representações celestes de ambos os tipos, e foi estabelecido o conjunto das actuais constelações. É impossível determinar exactamente quando foram inventadas as primeiras constelações. O homem antigo compreendeu muito rapidamente que o movimento do Sol através do céu afectava a sua vida. Ele estabeleceu o dia e as estações, e mediu a duração do ano. Com o objectivo de entender como o Sol percorria o seu caminho, registou as estrelas que formam o pano de fundo sobre o qual se projecta o movimento deste. A faixa do céu centrada no percurso do Sol tornou-se conhecida como zodíaco, e as estrelas situadas dentro dessa faixa foram divididas em grupos, formando doze constelações: as constelações zodiacais. O Sol percorre o seu caminho — a eclíptica — num ano, passando em cada mês por uma constelação específica. Nos tempos antigos, por exemplo, o Sol atravessava a constelação do Carneiro entre 21 de Março e 21 de Abril. A Lua e os planetas também se movem na faixa do zodíaco. Consequentemente, os doze signos zodiacais — Carneiro, Touro, Gémeos, Caranguejo, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes — foram as primeiras constelações a ser imaginadas. Com excepção da Balança, que foi introduzida mais tarde, os signos do zodíaco são criaturas vivas. O termo "zodíaco" deriva da palavra grega que designava "animal". As estrelas que constituem as constelações zodiacais podem ser vistas, ao longo do ano, de qualquer ponto da Terra. Outras constelações mais a norte ou a sul da faixa do zodíaco são, em geral, visíveis apenas se o observador alterar a sua posição progressivamente para norte ou para sul do equador terrestre. A parte do céu observável está directamente relacionada com a latitude do observador, e o que ele pode ver nessa região do céu depende da época do ano e da hora da noite. O primeiro conjunto de constelações, envolvendo a maior parte das estrelas do hemisfério norte, foi desenvolvido pelos povos Mediterrânicos e Árabes. Só quando os exploradores Europeus viajaram mais para sul foi possível catalogar as estrelas da parte sul do céu e agrupá-las em constelações. O desenvolvimento das constelações do hemisfério sul está bem documentado, ao contrário das do hemisfério norte, mais antigas, cuja história é difícil estabelecer. Não se pode dizer ao certo quando cada um desses agrupamentos foi imaginado, mas há provas evidentes de como, no início da nossa história, foi estabelecido um conjunto de constelações. Por volta do ano 150 da nossa era o astrónomo Alexandrino Claudius Ptolomaeus (Ptolomeu, como é mais usualmente conhecido) produziu o Almagest que acabou por se tornar um dos livros mais importantes na história da astronomia. O Almagest é um manual de astronomia matemática que compila o conhecimento astronómico do mundo antigo, contendo um catálogo em que se encontram registadas 1028 estrelas (1025 mais três repetidas). Todas essas estrelas podem ser observadas, à vista desarmada, a partir dos países Mediterrânicos, e Ptolomeu dividiu-as em quarenta e oito constelações, das quais já se referiram as doze zodiacais. Para além dessas, há mais vinte e uma a norte do zodíaco, e quinze a sul. As constelações não foram imaginadas por Ptolomeu; ele simplesmente baseou o seu trabalho na tradição antiga e nos primeiros catálogos de estrelas, tais como os produzidos por Hiparco, um astrónomo Grego do segundo século A.C.. Não existem trabalhos anteriores, mas os estudos têm mostrado que quarenta e três dessas constelações terão sido estabelecidas num período de 400 anos à volta do ano 2 000 A.C.. Um importante ponto de referência para este assunto é o longo poema astronómico escrito por Arato, por volta de 250 A.C., que inclui a descrição de quarenta e três constelações Jobanes Hevelius utilizou as suas próprias observações para produzir este mapa das estrelas do hemisfério norte, datado de 1687 e que contém oito novas constelações formadas por estrelas anteriormente não agrupadas. e se baseou no trabalho de Eudoxus que produziu a mais antiga descrição conhecida das figuras das constelações da época de 400 A.C. Outros povos, tal como os Chineses, desenvolveram o seu próprio sistema de constelações, mas foram os agrupamentos estabelecidos por Ptolomeu que constituíram a base do nosso sistema actual. Todos os novos catálogos, produzidos nos 1400 anos depois de Ptolomeu, foram baseados no seu Almagest. Os astrónomos Europeus e Islâmicos restringiram as observações às estrelas catalogadas por Ptolomeu, examinando os seus dados para alcançar os objectivos pretendidos. Os notáveis catálogos elaborados durante este período incluem os de Al Sufi, no século dez, as tabelas Alfonsinas do século treze, e as de Ulug Beg e Nicholas Copernicus (conhecido simplesmente como Copérnico), nos séculos quinze e dezasseis. Foi só a partir dos finais do século dezasseis que os astrónomos iniciaram a catalogação sistemática de constelações, para além das estabelecidas por Ptolomeu. No entanto, antes de começarmos a considerar os efeitos, no século dezassete, dás viagens por mares do sul e do aperfeiçoamento das técnicas de observação, atentemos mais pormenorizadamente nas constelações originais de Ptolomeu, e vejamos como elas eram representadas nos mapas. A tabela da página 11 apresenta as oitenta e oito constelações utilizadas pelos astrónomos hoje em dia. As quarenta e oito constelações originais de Ptolomeu estão incorporadas nessa lista e assinaladas com asteriscos. A observação da lista mostra que os primeiros desenhadores de constelações escolheram figuras das suas mitologias para os ajudar a identificar as estrelas. Estabelecer uma constelação é tarefa muito simples. Em primeiro lugar, precisamos de considerar como as estrelas se apresentam ao observador ligado à Terra. Com excepção do Sol, todas elas estão tão longe da Terra que aparecem como pontos brilhantes no céu nocturno, aparentemente equidistantes de nós. Elas parecem formar uma concha esférica envolvendo o nosso planeta. Na realidade, há estrelas no céu, quer de dia quer de noite, só nos sendo possível avistá-las de noite porque a luz da estrela mais próxima, o Sol, "apaga" as outras durante o dia. As estrelas, tal como o Sol, elevam-se no horizonte a leste e põem-se a oeste. Por se encontrarem a tão grandes distâncias da Terra, elas parecem mover-se em conjunto, mantendo as suas posições relativas. Na realidade, não são as estrelas que se movem, mas sim a Terra que roda em torno do eixo. A rotação da Terra provoca o movimento aparente das estrelas no céu nocturno. Nós estamos demasiado longe delas para percebermos quaisquer movimentos relativos, ou para admitirmos que a grande maioria das estrelas, que parecem incrustradas na esfera celeste, não têm, de facto, qualquer relação entre si. Vistas da Terra, as estrelas parecem encontrar-se fixadas na superfície de uma esfera transparente, rodando permanentemente em torno do globo terrestre. O homem formou as constelações ligando os grupos de estrelas mais brilhantes, e próximas umas das outras, desenhando assim figuras que lhe eram familiares. As crianças usam uma técnica similar quando se divertem com os seus livros, ligando pontos dispersos para formarem o desenho completo de uma figura perceptível. Uma vez que a figura se torne visível é já difícil voltar a ver os pontos individuais como pontos sem relação. Os desenhos sobrepostos às constelações originais foram figuras da mitologia Grega: familiares para os habitantes do mundo antigo, mas não facilmente reconhecíveis pelo homem do século vinte. Os mitos antigos, no entanto, deram vida a tais figuras e muitas delas estão incluídas neste livro. Naturalmente, nós próprios poderemos constituir histórias e figuras das constelações, e associá-las a pessoas e acontecimentos do nosso conhecimento. Apesar de muitas das figuras imortalizadas no céu serem pura ficção, outras surgiram de histórias da vida real, como veremos. Constelações situadas próximas umas das outras podem estar envolvidas nas mesmas histórias. Tomemos como exemplo as cinco constelações seguintes, pertencentes ao hemisfério norte: Cefeu e Cassiopeia, o rei e a rainha da Etiópia, estão muito perto da filha Andrômeda que foi salva por Perseu, o herói, da fúria do monstro marinho, a Baleia. Muitas vezes as histórias das constelações apresentam mais do que uma versão. A constelação do Escorpião representa o animal tido como o responsável pela morte de Orionte, o caçador, mas alguns pormenores podem não concordar. Foi Orionte morto pela picada do escorpião, ele que se orgulhava de ser o maior caçador e capaz de matar qualquer animal, ou foi picado quando tentava salvar outrém de um ataque do escorpião? Talvez o escorpião tenha sido enviado para castigar Orionte pela sua ousadia de perseguir Artemisa, a virgem deusa da caça; terá Artemisa sido levada a matar Orionte em consequência de artimanhas geradas pelos ciúmes do seu irmão gémeo, Apolo? Qualquer que seja a história ou a figura desenhada, as constelações permanecem reconhecíveis nos mapas estelares, quer estes tenham sido desenhados por mãos dos séculos dezasseis ou dezanove. No entanto, é importante considerar o ângulo segundo o qual a imagem é vista. O nosso modelo de Terra esférica, no interior de uma esfera celeste transparente, ilustra duas formas bem diferentes de ver e, consequentemente, desenhar as estrelas. O homem viu-as a partir da Terra, olhando para a superfície interior da imaginária concha esférica. É assim que as constelações são, ainda hoje, desenhadas em mapas e atlas. Mas, em alguns mapas antigos, e, mais evidentemente, em globos, as constelações são desenhadas como se fossem vistas do lado exterior da esfera celeste. Esta visão das constelações, de "fora", é completamente inacessível ao homem. Ela é, de facto, a representação inversa de como as constelações realmente aparecem no céu. É por isso que quando olhamos para este livro verificamos que, em alguns casos, um de dois desenhos da mesma constelação parece ser a imagem do outro, vista através de um espelho. Figuras como o Sagitário, o arqueiro, e Orionte, o caçador, situados em pontos opostos do céu, facilmente mostram esta discrepância. Quando visto da Terra, o Sagitário aponta a seta para o Escorpião, à direita, e Orionte tem à sua esquerda os cães de caça, Cão Maior e Cão Menor. Quando estes dois aspectos são vistos da parte exterior da esfera celeste, eles aparecem invertidos. No entanto, cada publicação adopta, geralmente, apenas um estilo, embora existam excepções, como AI Sufi, que apresentou as duas visões no seu Livro de Estrelas Fixas. Os mapas de hoje são produzidos como instrumentos de trabalho; embora possam ser atraentes, o seu objectivo é informar. Nos primeiros séculos prestava-se mais atenção à função artística do mapa, e a evolução dos estilos e do gosto artísticos reflectiram-se nos mapas celestes. Os mais importantes deste livro abrangem desde simples desenhos medievais até ao estilo dos belos esboços clínicos do século dezanove, passando pelas imagens clássicas do Romantismo. O estilo de um artista podia ser várias vezes copiado pelos menos inovadores, na representação de figuras da mitologia Grega, envergando humildes vestes de peles para se protegerem no inverno do hemisfério norte, na caracterização de um herói clássico ou, por exemplo, um Persa nobre. Os astrónomos profissionais preocuparam-se mais com o rigor dos mapas do que com os seus méritos artísticos. Para eles, os mapas apresentam uma imagem visual do catálogo de estrelas. Os seus catálogos representavam simplesmente a posição de uma estrela à custa das suas coordenadas. Tal como usamos a latitude e a longitude para referenciar a posição de um lugar na superfície da Terra, os astrónomos utilizam um sistema de coordenadas semelhante, para indicar a posição de uma estrela na esfera celeste. Na Terra, a latitude e a longitude são medidas a partir do Equador e do Meridiano de Greenwich, respectivamente. Foram desenvolvidos dois sistemas principais para descrever uma posição na esfera celeste. Consequentemente, foram produzidos mapas baseados nestes diferentes sistemas, embora muitos deles contivessem informação para a conversão de um sistema no outro, com relativa facilidade. Como os mapas de estrelas do século dezasseis se basearam no catálogo de Ptolomeu, os cartógrafos daquele tempo adoptaram o método Ptolomaico usando coordenadas eclípticas. No sistema eclíptico, uma coordenada dá a posição de uma estrela para norte ou para sul da eclíptica, enquanto uma segunda coordenada indica a sua posição ao longo dessa linha, medida a partir de um ponto chamado equinócio vernal. Este marca a posição em que o Sol, no seu deslocamento para norte, cruza o equador celeste (sendo o equador celeste a projecção no céu do equador da Terra). Mais tarde, os astrónomos Europeus começaram a utilizar coordenadas equatoriais. Neste sistema, a posição de uma estrela para norte ou para sul do equador celeste é indicada por uma coordenada conhecida por declinação. A segunda coordenada é a distância medida sobre uma linha ao longo do globo, a partir do equinócio vernal; esta segunda coordenada é a ascensão recta da estrela. A constelação do Cisne, em Theatrum Mundi, et Temporis, de Giovanni Paolo Gallucci, 1588. A colecção de mapas xilogravados de Gallucci constitui o primeiro atlas de estrelas com coordenadas estelares. As constelações em volta do pólo celeste norte, representadas no Atlas Çoelestis, de John Flamsteed, 1729 — um dos mais belos atlas de todos os tempos. Seja qual for o sistema adoptado pelo astrónomo, ele precisa de conhecer outro pormenor vital — a época em que as coordenadas foram medidas. Embora olhemos para as coordenadas de uma estrela como fixas, elas variam, de facto. Isso é devido à atracção gravitacional do Sol e da Lua sobre a Terra, não exactamente esférica. A Terra em rotação, está oscilando como um pião, fenómeno este conhecido por precessão. Num período de cerca de 25500 anos, o pólo da Terra descreve um círculo. As coordenadas das estrelas são dadas para uma data específica e os mapas são razoavelmente rigorosos para uma época ou período de trinta anos, aproximadamente. Apesar de a precessão ter sido descoberta no segundo século antes da nossa era por Hiparco, os cartógrafos e astrónomos utilizaram diferentes valores para tal movimento. Por isso, a época indicada em alguns dos mapas antigos não pode ser considerada exactamente correcta. Como estes mapas não são apresentados para qualquer trabalho observacional pormenorizado, não precisaremos de nos preocupar mais com a precessão. Um efeito apenas merece ser recordado: actualmente, a estrela Polar, a última da cauda da Ursa Menor, fica muito perto do pólo celeste norte, o ponto do céu observável no hemisfério norte em torno do qual parece rodar o firmamento. Há quatro mil e quinhentos anos, este pólo era marcado pela estrela Thuban da constelação do Dragão. Devido ao contínuo efeito da precessão, a Polar será substituída, por volta do ano 12000, pela quinta estrela mais brilhante em todo o céu, Vega, da constelação da Lira. Muitos dos mapas celestes incluídos neste livro são planisférios, mapas circulares centrados no pólo, quer do equador quer da eclíptica. Normalmente, um planisfério abrange apenas as estrelas de metade do céu em torno do pólo norte ou do pólo sul. As estrelas do zodíaco, visíveis por todos os observadores, aparecem representadas ao longo do bordo exterior em ambos os mapas, Os dois planisférios juntos mostram a esfera celeste completa. A quantidade de informação astronómica incluída num mapa pode variar significativamente, para além do pormenor de uma determinada forma de representação ter evoluído com o decorrer do tempo. Hoje em dia os astrónomos podem identificar muito facilmente uma estrela individual numa constelação. As estrelas mais significativas têm nomes próprios e as menos brilhantes são conhecidas pelas suas posições na constelação. As estrelas são identificadas por uma letra do alfabeto Grego seguida do genitivo do nome da constelação. Por exemplo, a Canis Major identifica a estrela designada a (alfa é o "a" do alfabeto Grego) e pertencente à constelação do Cão Maior. Geralmente, a estrela mais brilhante de uma constelação é chamada a, a segunda de maior brilho, |3, e assim por diante, ao longo do alfabeto Grego. A este método é comum chamar-se método de Bayer porque o sistema foi introduzido por Johan Bayer no seu atlas celeste Uranometria publicado em 1603. Este sistema tem, no entanto, as suas falhas. Em algumas constelações a estrela mais brilhante não é designada por a ; na constelação de Orionte, por exemplo, à estrela mais brilhante está atribuída a letra (3. Alguns anos antes o astrónomo Italiano Alessandro Piccolomini introduziu um sistema similar no seu atlas de 1540 onde as estrelas mais importantes eram identificadas por letras do alfabeto Latino, sendo as de maior brilho chamadas "A". No entanto, foi o sistema de Bayer a ser copiado por outros cartógrafos e adoptado pelos astrónomos. John Flamsteed deu o nome a um outro sistema de identificação de estrelas. Os números de Flamsteed identificam uma estrela com uma constelação, de acordo com a sua ascenção recta. Quanto maior é a ascensão recta mais alto é o número usado para a identificar. Actualmente o sistema é utilizado para assinalar objectos pouco luminosos e difíceis de observar à vista desarmada. As estrelas que têm nomes próprios, podem aparecer nos mapas com essa referência. Na cultura popular os nomes serão mais conhecidos do que o sistema de Bayer e, nesse caso, o nome surge antes de qualquer outra designação dos sistemas de identificação. O exemplo já citado, a do Cão Maior, é também conhecida como Sírio, um nome de origem Grega, usado por Ptolomeu. Outros nomes chegaram até nós através desse astrónomo, incluindo Arcturo, (a Bootes), Capela (a Aurigae), Antares (a Scorpio) e Canopo (a Carinae), algumas das estrelas mais brilhantes do céu. Outro método de identificar as estrelas, utilizado por Ptolomeu, era relacioná-las com a sua posição na constelação. Por exemplo, a estrela agora conhecida por Fomalhaut era descrita por Ptolomeu como a "estrela da boca", ou seja, a boca de Piseis Austrinis, a constelação do Peixe Austral. O Almagest foi traduzido para Árabe nos séculos oito e nove, sendo as descrições um pouco afectadas pela tradução. Similarmente, as versões ocidentalizadas dos nomes Árabes, hoje em uso, podem apresentar pouca semelhança com o significado Árabe original. Por isso, alguns nomes são verdadeiramente Árabes enquanto outros apenas reflectem a sua origem. Nos mapas aparecem algumas variantes nos nomes das estrelas e, ainda hoje, com mais de duzentos nomes Árabes de estrelas em uso comum, existem muitas incongruências. Muitos dos mapas e cartas deste livro incluem uma escala de brilhos das estrelas na qual a dimensão do símbolo respectivo está relacionado com o brilho da estrela. Uma estrela parece-nos brilhante quando vista da Terra porque está próxima ou porque está emitindo considerável quantidade de energia, sendo o seu brilho expresso em termos de magnitude (ou seja, importância). As estrelas que se apresentam mais brilhantes são de primeira magnitude e as mais ténues observáveis à vista desarmada são de sexta magnitude. A magnitude de uma estrela dá ideia da facilidade com que pode ser vista por um observador situado na Terra. Hiparco, que viveu no século II antes da nossa era, classificou as estrelas que observava em termos da intensidade luminosa e designou as vinte mais brilhantes como de maior importância, e às de menor brilho chamou de sexta importância. Às estrelas de brilho intermédio atribuiu valores 2, 3, 4, e 5, em função da sua luminosidade. Os valores de Hiparco foram convertidos numa escala numérica de magnitudes absolutas, mantendo-se ainda o número maior para a estrela menos brilhante. A partir dos anos de 1850 a razão dos brilhos entre uma estrela de primeira grandeza e uma de sexta grandeza foi estabelecida em exactamente, cem vezes. Isso significa que cada salto de um ponto ao longo da escala de magnitudes aparentes corresponde a uma diferença de 2,519. no hrilho das estrelas. A constelação do Cisne em De Le Stelle Fisse Libro Uno de Alessandro Piccolomini, publicado em 1540. O livro de Piccolomini é a primeira colecção impressa de mapas de estrelas (diferente de desenhos de constelações) e pode assim ser considerado o primeiro atlas estrelar a ser impresso. Numa constelação podem encontrar-se estrelas que não são um ponto luminoso apenas. Para os astrónomos antigos, ou para um astrónomo iniciado de hoje, o céu parece cravejado de pontos luminosos que aparentemente são simples e invariáveis estrelas. Hoje sabemos que a realidade é bem diferente. Algumas estrelas são, na realidade, duas ou mais estrelas observáveis em direcções muito próximas. Destas, muitas serão, de facto, estrelas duplas, ou seja, um par de pontos luminosos no céu correspondente a duas estrelas que orbitam em torno do centro de gravidade comum. Outras estrelas são variáveis, e o seu brilho varia no mesmo período de tempo em que se completa uma pulsação da estrela. Novas classificações de estrelas e de agrupamentos estelares, tais como enxames e galáxias, têm sido incluídas nas cartas celestes, à medida que vão sendo identificadas. Os astrónomos Europeus usaram tubos de mira para garantirem o rigor das suas medidas de coordenadas. Ainda antes de o telescópio ter sido pela primeira vez apontado para o céu por Galileo Galilei em 1609, outros astrónomos e navegadores, nas suas navegações para sul, exploraram os céus dessa região, identificando estrelas e executando cartas celestes. Os navegadores holandeses Pietr Dirksz Keyser e Frederick de Houtman foram os primeiros Europeus a executar cartas das estrelas centradas no pólo celeste sul. O seu trabalho foi mais tarde melhorado pelo do Inglês Edmond Halley, e, mais recentemente, pelo trabalho do Francês Nicolas Louis de Lacaille. Nos finais do século dezasseis, o trabalho dos navegadores holandeses levou à introdução de doze novas constelações, ainda hoje usadas e largamente baseadas em animais exóticos descobertos nas viagens de exploração, como, por exemplo, a ave-do-paraíso, o camaleão e o tucano. Em 1754 Lacaille adicionou mais catorze constelações. Com excepção de Mensa, nome inspirado em Table Mountain, onde realizou as suas observações, todas as catorze constelações se relacionam com alguma ferramenta ou instrumento usado nas artes ou lias ciências; por exemplo, relógio, microscópio, cavalete de pintor e buril. Todas elas podem ainda hoje ser observadas no céu. Desde então foram poucas as novas constelações introduzidas no hemisfério celeste norte, tal como as de Hevelius que agrupou algumas das estrelas pouco brilhantes entre as constelações já existentes, as quais entraram também no uso regular. Designações de muitas constelações completamente novas têm sido propostas, quase todas ingénuas e chocantes. Por isso, não foram aceites popularmente e o seu reinado foi breve. Propostas que abrangiam as constelações simplesmente, ou sugeriam esquemas concebidos de novo que levariam a uma completa remodelação dos desenhos do céu, A revisão mais notável foi a que levou Julius Schiller a transformar as doze constelações zodiacais nos doze apóstolos, enquanto as constelações a norte e a sul dessa faixa eram representadas por figuras do Novo e do Velho Testamentos. As oitenta e oito constelações usadas hoje em dia foram oficialmente adoptadas, a nível internacional, pela comunidade astronómica na primeira Assembleia Geral da União Astronómica Internacional (IAU), que se realizou em 1922. Foram também estabelecidos os limites de cada constelação, Até então, como se verifica pelos exemplos deste livro, os cartógrafos individuais utilizavam arbitrariamente as linhas que uniam as constelações. No entanto, em 1930, o mapa de estrelas reproduzido em Delimitation Scientifique des Constellations mostrava os novos limites desenhados ao longo de linhas de igual ascenção recta e declinação. Atlas de Johannes Bode, 1801, que foi o último dos grandes atlas celestes a combinar pontos de vista artísticos e científicos.

     

    Tabela de Constelações

    Nome Comum Andrômeda Andrômeda Crux Cruzeiro do Sul Orion Orionte, o Caçador Antlia Máquina Pneumática Cygnus Cisne Pavo Pavão Apus Ave-do-Paraíso Delphinus Delfim Pegasus Pégaso Aquarius Aquário Dorado Dourado Perseus Perseu Áquila Águia Draco Dragão Phoenix Fénix Ara Altar Equuleus Potro Pictor Cavalete de Pintor Aries Carneiro Eridanus Rio Erídano Pisces Peixes Auriga Cocheiro Fornax Fornalha Piseis Austrinus Peixe Austral Bootes Boieiro Gemini Gémeos Puppis Popa Caelum Buril Grus Grou Pyxis Bússola Camelopardalis Girafa Hercules Hércules Reticulum Retículo Câncer Caranguejo Horologium Relógio Sagitta Seta Canes Venatici Cães de Caça Hydra Hidra Fêmea Sagittarius Sagitário Canis Major Cão Maior Hydqjs Hidra Macho Scorpius Escorpião Canis Minor Cão Menor Indus índio Sculptor Escultor Capricornus Capricórnio Lacerta Lagarto Scutum Escudo Carina Quilha Leo Leão Serpens Serpente Cassiopeia Cassiopeia Leo Minor LeãoMenor Sextans Sextante Centaurus Centauro Lepus Lebre Taurus Touro Cepheus Cefeu Libra Balança Telescopium Telescópio Cetus Baleia Lupus Lobo Triangulum Triângulo Chamaeleon Camaleão Lynx Lince Triangulum Australe Triângulo Austral Circinus Compasso Lyra Lira Tucana Tucano Columba Pomba Mensa Mesa Ursa Major Ursa Maior Coma Berenices Cabeleira de Berenice Microscopium Microscópio Ursa MinorUrsa Menor Corona Australis Coroa Austral Monoceros Unicórnio Vela Velas Corona Borealis Coroa Boreal Musca Mosca Virgo Virgem Corvus Corvo Norma Régua Volans Peixe Voador Crater Taça Octans Octante Vulpecula Raposa Ophiuchus Ofíuco ou Serpentário Quarenta e sete constelações Ptolomaicas. A quadragésima oitava, Argo Navis (Navio), é actualmente representada por Carina, Puppis e Vela.

    Número de Páginas: 128

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